19 de jun de 2010

The Red Moon;

Um dia tão complicado não poderia ter tido um desfecho melhor. Um dia tão pressionado para ter um fim, um dia desejável apenas para ser noite. Sem decisões. Sem sentimentos. Frio. Insensível. Seco. Tentando com isso apenas me perder de você. Me perder de mim. Esquecer quem fomos nós. Sem sequer querer lembrar o que eu sou ou quem foi você pra mim. Andando por aí, olhando o céu e vendo a lua em transformação. Assim como eu estou agora. Pensar em seu nome e presenciar apenas o vazio em minha mente. Não sabendo nem como pronunciar. Nem ao menos como me portar na presença de outras pessoas. Desejando, durante todo esse dia sem fim, estar sozinha. Esperando que com o vento gélido meu coração congele também. Imaginando como seria se meu coração apenas corresse de mim como o carro corre pela rua. Sabendo que onde quer que esteja, você possa estar pensando em mim, ou simplesmente não. As coisas podem ser tão difíceis por si mesmas. Neste momento, eu não consigo acreditar muito que somos nós quem complicam as coisas. Nós apenas cometemos deslizes e o caos acontece naturalmente. E às vezes o melhor a se fazer é parar. Parar de querer compreender, querer voltar, querer organizar. Deixei que o caos consumisse. Quero só ver no que é que vai dar, não tenho a intenção de ser má... Posso até me arrepender depois. Mas se eu não fizer isso, como vou sentir o gostinho amargo do arrependimento? Afinal, eu já sei como vai ser se eu continuar deixando tudo fácil. Se esta estranha lua vermelha pode desaparecer em questão de segundos... Por que eu não poderei também? Deixar minhas faíscas espalhadas pelo espaço vazio, aquele que eu ocupava antes. Assim como a lua deixa as estrelas no céu. Talvez apareça um sol pela manhã. Saiba que esse sol não seria eu. O sol seria qualquer outra... Sempre a mesma... Brilhando 13 horas por dia e depois desaparecendo. Dando lugar para a escuridão e para a lua mais uma vez. A lua, que nunca é a mesma. A lua, que sou eu. Metamorfosear-se faz parte de sua natureza. É necessário. Não preciso mais disfarçar. Não preciso reviver passados... Porque tento fazer algo novo... Mudo minhas palavras, tento mudar minhas ações e quem sabe suas pontuações. Tento dizer que a nossa história já não interessa. Isso grudou na minha cabeça. E fico sentada olhando o nada enquanto o tempo passa. Sua imagem vaga pela minha cabeça, num aparece-desaparece atordoante. E o pior é que eu não sei se estou me encontrando ou se estou te perdendo. Não sei se quero que você fique, mas eu quero ir embora. Agora. Continuar meu ciclo lunar e, como a lua vermelha, desaparecer em questão de segundos. Sei que em algum momento vou me cansar de continuar sentada, atormentada, vendo seu rosto no meio do nada. E vou sair correndo. É dessa parte que eu tenho medo. Sei que eu posso correr para qualquer caminho longe de você. É o que fixou-se na minha mente. Estou me perdendo daquela trilha que me leva de volta para os seus braços. Como eu queria perder seu rosto. Como eu queria que essas lembranças fossem embora e me deixassem em paz. Deixassem que eu vivesse minha vida. Não quero voltar para alguém que precise de um tipo de apoio ou segurança, estando comigo... Pertencendo a mim. Desse jeito, seria sempre preciso recorrer ao seu apoio, sendo minha. Eu sempre terei algum conflito e precisarei te deixar para depois correr de volta. Mas se você precisar de outra pessoa, nunca terei certeza se é seguro voltar correndo. Acabarei outro caminho seguindo. Me torturando sempre que imaginar você com seu apoio pessoal. Matar cada pedacinho de mim sempre que sentir desejo de voltar. Me acolher em outros abraços. Construir outros laços. Desvencilhar minha vida da sua. Desaparecer, assim como a lua vermelha fez. Deixar minhas faíscas, como a lua deixou. Não quero lembrar, não quero conversar, não quero me interessar, nem procurar. Não quero procurar meus sentimentos, sendo bons ou ruins. Não quero sentir. Assim como a fumaça de cigarro, misturar-me com o ar. Espalhar-me por aí. Contaminando pulmões, viciando pessoas e depois as matando. Algo fraco se comparado com tantas outras drogas... Mas quase impossível de ser abandonado. E um cigarro não precisa de uma só pessoa. Tantas outras o consumirão. Seria melhor se você tivesse se afastado. Mas apesar de você assentir e insistir que consegue me deixar mas não quer tentar, seus olhos e atitudes entregam o contrário. Você está viciada. Mesmo que não suporte cigarros. Jogarei nossa sorte nos dados. Apostarei nosso amor em um jogo qualquer. Fazendo de tudo para perder. Entregar os pontos. Fingir tristeza ao entregar seu amor para outro alguém. Para seu apoio, talvez?! Abrir um esplêndido sorriso irônico, sentar-me e esperar que o arrependimento queime em minhas veias. Enlouquecer ao dar-me conta de que perdi você e seu amor. Contradizer-me a todo, todo momento. Perder as estribeiras e procurar por aquela trilha perdida e apagada. Falhar e voltar. Ter um pouco de embriaguez... Talvez. Transformar-me mais uma vez. Perder o que restou de meu coração. Encontrar-te na rua, desavisada... Nem imaginando minha nova fase... E por fim, abandonar-te, assim como a lua vermelha me abandonou esta noite.

Heartache;

Passei tempo demais afastada. Tentando assim talvez por minha cabeça no lugar, ou pensar com mais coerência. Ou talvez fosse só a falta de criatividade que tenha me mantido longe daqui ou de qualquer outro modo de escrita. Mais foi a partir daí que alguns problemas menores cresceram e caíram sobre mim. Problemas que eu nem pensava em resolver por agora, mas que virou um empecilho durante meus tempos livres. Parece que é só eu não ter mais o que fazer, e alguns conflitos aparecem, me deixando totalmente preocupada (leia-se noiada, rs). Sinceramente eu preferia que as coisas retomassem do seu ponto de partida. Não seria tão confuso e previsível... Somos criaturas tão teimosas que se não fosse trágico neste contexto, certamente seria cômico. E os problemas sentimentais seriam menores. Aliás, quem foi o esperto que disse que essa loucura enfatizada, essa necessidade e dependência se chama amor? Devia ser caso clinico. "Ah, ela morreu de que? Morreu de amor!" Tudo bem que levando pra outro ponto de vista, a hipérbole usada cairia muito bem ultimamente. Se existe remédio para dores de cabeça, dores no corpo e tudo isso, deviam inventar remédio para dores de coração. Ou talvez eu só esteja exagerando as coisas, hm. Meu coração não está doendo assim. Ele já deve estar totalmente perdido a essa altura do campeonato.